A 7 de fevereiro de 1647, Cristóvão Martinho de Vasconcelos, governador da praça de Valença, foi morto com um tiro de pistola disparado pelo seu escravo mouro, José, natural de Argel e anteriormente conhecido por Abraão. O agressor matou também Maria, criada da casa do governador. Capturado pelas autoridades, foi posteriormente enforcado e esquartejado. O episódio foi registado nos livros paroquiais de Santa Maria de Valença e constitui um dos acontecimentos criminais mais dramáticos encontrados na documentação local do século XVII.

Um segundo registo paroquial permite acompanhar o destino do homicida. José, escravo mouro natural de Argel, anteriormente chamado Abraão, recebeu o batismo cristão enquanto estava encarcerado. O pároco anotou que sofria de duas feridas mortais e que não comia havia três dias, circunstâncias que sugerem um estado de grande debilidade física. Mais tarde, pelas mortes do governador e da criada Maria, seria executado por enforcamento e posteriormente esquartejado.
