O Batismo de Joaquim, um Escravo Vindouro de Cacheu (1759)

5 de Dezembro, 2025

Introdução

Entre os muitos registos paroquiais que documentam vidas anónimas, surgem ocasionalmente fragmentos que nos ligam diretamente à história global. O batismo de Joaquim, escravo do Padre Estêvão Pestana, realizado a 24 de maio de 1759 na freguesia de Castelo, é um desses casos. O registo, embora breve, revela ligações entre o interior de Portugal e a costa africana, nomeadamente Cacheu, um dos mais antigos entrepostos portugueses no tráfico atlântico.

O Registo

  • Nome: Joaquim
  • Condição: Escravo do Padre Estêvão Pestana
  • Data de Batismo: 24 de maio de 1759
  • Local: Freguesia de Castelo (Sertã)
  • Idade aproximada: Cerca de 10 anos
  • Origem recente: Vindo de Cacheu

O facto de este jovem africano ter sido batizado como escravo do pároco local é particularmente relevante: demonstra que, mesmo em zonas rurais do centro de Portugal, alguns membros do clero mantinham escravos, geralmente ao serviço doméstico.

Contexto Histórico

No século XVIII, Cacheu, na atual Guiné-Bissau, era um importante ponto de exportação de pessoas escravizadas para Portugal e as suas colónias. Algumas acabavam por permanecer na metrópole, sobretudo ao serviço de famílias com estatuto económico relevante. A presença de escravos no interior do país ainda é pouco estudada, mas casos como o de Joaquim provam a sua existência.

A freguesia de Castelo, então parte da administração eclesiástica da Sertã, integrava um território rural onde escravos eram sobretudo empregados em serviços domésticos, agrícolas ou de apoio às casas senhoriais.

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