António Freire de Andrade faleceu a 3 de agosto de 1700, com cerca de 40 anos. Era negro, livre, e viveu os últimos 10 a 12 anos entre o Sabugal e a Vila do Touro, onde exercia a função de porteiro — uma posição de responsabilidade na administração local.
Desconhece-se a sua naturalidade, mas o registo da sua morte revela um dado um tanto incomum para a época: António era um homem negro e livre, num território do interior português, marcado ainda por fortes desigualdades sociais e ainda pela presença da escravatura. Solteiro e pobre, a sua vida é um testemunho da existência de homens negros livres em comunidades rurais no século XVII.
A sua presença, embora discreta nos registos, abre uma janela importante para refletirmos sobre as histórias esquecidas de resistência, mobilidade e pertença em Portugal.
